17.11.2017
  MELHORAMENTO GENTICO GARANTE LEITE QUE NO CAUSA ALERGIA
   
 



A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de Leite) está desenvolvendo trabalhos de melhoramento genético em parceria com as associações de criadores das raças Gir Leiteiro e Girolando, para a produção de leite A2, produto indicado para pessoas que possuem alergia às beta-caseínas, que correspondem a 30% das proteínas do leite. A tendência é de que os pecuaristas invistam na seleção do rebanho, uma vez que o leite diferenciado tem pouca oferta e alto valor de mercado.



De acordo com as informações da Embrapa, a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) é uma enfermidade mais observada na infância. Dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) mostram que cerca de 350 mil indivíduos no Brasil são alérgicos e precisam eliminar o leite de vaca da dieta. O leite A2 pode ser uma opção para os consumidores, uma vez que a beta-caseína é a principal causadora da APLV.



Segundo o pesquisador em Genômica e Melhoramento de Animais da Embrapa Gado de Leite, Marcos Vinicius Barbosa da Silva, o projeto vem sendo desenvolvido há cerca de 4 anos. Nas avaliações dos touros, são feitas análises para identificar o genótipo para a beta-caseína tipo A2. Esta informação é publicada nos sumários das raças Gir e Girolando, e facilita o processo de melhoramento genético do rebanho, caso o produtor queira produzir leite A2.



"A identificação do genótipo é importante por mostra qual é o perfil de DNA do touro que vai, no caso das filhas, produzir o leite A2", disse Silva.



O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, João Cláudio do Carmo Panetto, explica que para a produção do leite A2 o ideal é que tanto o touro como as vacas tenham os alelos A2A2, o que garante que 100% das filhas serão produtoras de leite não alergênico. Por isso, é necessário que o pecuarista faça a genotipagem das fêmeas.



"Se uma vaca tem o genótipo A2A2, é garantido que ela passará para a progênie o alelo A2. A genotipagem da vaca é feita com a coleta de tecido biológico do animal, que pode ser uma amostra do pelo. O material é analisado em laboratório especializado que apresentará o resultado ao produtor de acordo com o tipo. Depois, basta escolher o sêmen adequado, cujas informações estão presentes nos sumários dos touros Gir leiteiro e Girolando", explicou Panetto.



A indicação é que os pecuaristas que decidam investir na produção de leite A2 descartem os animais que não sejam A2A2, o que ajuda a acelerar a seleção genética do rebanho e garante a produção de 100% do leite do tipo A2.



Mercado - No País, a produção do leite alergênico é considerada rentável. Por ter uma oferta restrita e alta demanda, o preço do litro de leite chega a R$ 8, enquanto o leite tradicional é vendido, hoje, em torno de R$ 1.



 Apesar da rentabilidade alta, o processo para a produção do leite e de derivados, como os queijos e iogurtes, demanda investimentos elevados, uma vez que os materiais utilizados na ordenha, armazenamento e no laticínio devem ser exclusivos para o processamento do leite diferenciado.



"A procura pelos touros que possuem o genótipo A2 é crescente, mas ainda falta organizar a cadeia produtiva para a comercialização do leite A2. Não adianta pensar somente na genética do rebanho, é preciso se organizar para conseguir colocar o produto no mercado", disse Silva.



De acordo com Panetto, hoje, os produtores que trabalham com este tipo de leite não entregam o produto em cooperativas e laticínios. "O produtor precisa investir em todo o sistema para processar o leite e comercializar diretamente com o consumidor"



Silva ressalta que, apesar dos desafios, o mercado é promissor. "Alguns produtores têm comercializado o leite direto com algumas sorveterias de São Paulo e recebem cerca de R$ 8 por litro de leite. É um produto que tem demanda, mas carece de organização para alcançar o público de maneira ampla", explicou Silva.



Fonte: Diário do Comércio


 

 
     
 
     
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